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terça-feira, 24 de abril de 2012

Três, dois, um



Se as nossas exigências fossem realmente necessárias e nossos desejos coubessem num papel, talvez a vida fosse mais fluida. Teríamos menos compromissos, menos posses e menos pose. Os risos matariam a fome e os versos virariam chocolates. Sem calorias e culpas. O tempo pararia com o fechar dos olhos. Assim, dormiríamos tranquilos todos os dias. Oito, nove, dez horas. Sem atrasos, nem olheiras.

Pena que dificultamos tudo. Nossas exigências são supérfluas e os desejos extrapolam laudas e laudas. A rotina, burra e previsível, implora por risos, versos e chocolates. Investimos mais tempo em reuniões de negócios do que em encontros com os amigos. Vivemos mais para os outros do que para nós mesmos. Enquanto isso, o tempo segue impiedoso. Até o dia em que ele para, por completo, com o fechar dos olhos. E deixamos de acordar.

A vida tem roteiro e nós somos inteiramente responsáveis por nossa história. Por isso, quebre protocolos, invente uns cacos, reescreva atos e faça como no teatro: mande algumas pessoas à merda. No bom e no mau sentido. Mas não se esqueça: é tudo ao vivo e sem volta.

O espetáculo é breve e não permite ensaios.

A vida é simples. Nós que a complicamos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Mais dia, menos dia


Está chovendo.
E eu aqui.
Covarde e encolhido, com receio de me molhar.

Medo de sentir meu pé na grama, de ficar gripado.

É mais cômodo ficar estático, acender um cigarro e acompanhar tudo da janela.
Ou então chamar minhas filhas e comer um bolinho de chuva ao som dos trovões.


As gotas varrem o chão lá fora.
E eu na lama, dentro de casa.

Olhando as folhas serem guiadas pelo vento, tal qual minha vida,

dependente de uma brisa que me leve para algum lugar.

Mas não. Cá estou, rodeado de semanários antigos e recortes de outras vidas, em uma casa que não me pertence.


Chove lá fora.
Faz frio por aqui.
Seco domingo, áspero e longo.

Mais uma oportunidade para pensar que não me enxergas.
Para entender que minhas filhas sequer existem.
Que o bolinho de chuva é apenas mais uma covarde representação de tudo o que sonhava viver contigo.

A natureza desagua.
Eu me expurgo.
Cada dia mais murcho e áspero.

Mais uma tarde chuvosa, mais pensamentos nebulosos, menos uma chance, menos um dia.

Um dia tudo isso acaba.
Um dia.