O que falta na minha vida, definitivamente, é foco. Na sexta passada, fui para o meu apartamento, ao meio-dia, para resgatar o cartão de crédito que havia deixado em casa. Entrando lá, imediatamente eu o localizei e o guardei na carteira. Aí resolvi tomar um banho. Nesta altura do campeonato não havia motivo para usar a mesma roupa. Então a troquei. No quarto, a cama me seduziu para uma amostra grátis de siesta. E não poupou argumentos: lençóis macios, travesseiros afofados, cheirinho de lavanda. Foi impossível não dizer: “sim, sua linda, eu também te quero”, jogando-me no seu emaranhado de 200 fios suavemente trançados. Ah, o sono, o breve sono! Fecho os olhos e esqueço-me do tempo. O suficiente para me atrasar. E sair correndo feito louco pela rodovia. Sem o cartão de crédito, a carteira e o celular. Mas por que eu tava falando disso mesmo?
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Ao modo do chef
Vivemos sonhando com o dia em que vamos comer caviar. Sem ao menos saber o que é a iguaria. Muito menos se vamos gostar dela de fato. A verdade é que nós não variamos o nosso cardápio por simples acomodação. Nós não conhece...mos nem 5% das receitas. E nem é por falta de acesso, mas sim por ignorância e, muitas vezes, por preguiça. Comer não é e nem deve ser mecânico. É um prazer. Tão importante quanto o sexo.
Se pararmos pra pensar, o ritual da comida é a única necessidade fisiológica que o ser humano tem o costume de fazer em grupo. Até agora nunca recebi um convite para um cocô coletivo. E espero nunca receber. Os mais pervertidos devem estar pensando: “pera lá, tem o sexo também”. Não. Definitivamente não. Um almoço pode ser compartilhado com a sua avó sem problemas. Já o sexo...
Muito mais do que reunir pessoas, o ritual da degustação deve ser encarado como, de fato, um ritual. Com adoração, num templo adequado. E com a percepção dos aromas e dos sabores. Hortelã, nozes, azeite de oliva, manjericão. Delícias que estão em qualquer prateleira de supermercado e que, às vezes, deixam de enfeitar nossos pratos simplesmente porque não temos saco para catar folhinhas e inventar frescuras ao modo do chef.
Folhinhas? Frescuras?
Nossa vida é uma metáfora dos nossos pratos. Pensem nisso. Tem gente que come em cumbuca, em marmita, na panela. Tem também os que não comem. Há aqueles que sequer olham o que estão mastigando. Até porque a novela deve ser mais importante. Contudo, existem os indivíduos que colocam uma pimentinha diferente no feijão, noz e manjericão na macarronada, azeite extravirgem na torrada, com uma colherinha de cebolinha verde.
Frescura?
É realmente frescura pensar que um tempero novo pode mudar todo o cardápio?
Há quanto tempo sua rotina não vê uma salsinha?
Arroz com feijão é gostoso. Mas cansa. E tem muita coisa interessante, ao seu redor, para ser experimentada. Fica a receita. Com um toque de pimenta.
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Essas Mulhereres
As mulheres, de fato, são frutas. Cada uma com sua cor, com seu formato, com sua suculência e com sua textura. Algumas maduras, outras ainda verdes, com a promessa de ficar ainda mais saborosas e tenras. Tem ainda as ácidas, com sua perspicácia e seu humor inteligente. Muito diferente das azedas, que perderam o viço e o paladar.
Mulheres são doces – e amargas, quando desejam. Finas, delicadas e suaves – apenas quando lhes convém.
Mulheres, não tenham medo de ser a fruta que são. Vivam intensamente a delícia de seus sabores. Os gostos são variados. E todas, sem exceção, são gostosas. Do jeito que são.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Poema dos Abraços
Se existe uma coisa mais interessante que o beijo é o abraço. É a forma mais acolhedora de envolver alguém. De cercar-se de carinho, de seduzir ou, simplesmente, de cativar. Abraços servem para o pai, para a mãe, para os irmãos, para os amigos, para os amores, para os perdoados, para os vencedores, para os perdedores, para os sofredores. Para quem a gente quiser.
Abraços são invasões permitidas. Desarmam até mesmo os mais armados. Abrangem, dominam, aninham. Abraços protegem. E nos fragilizam. Porque apagam o ódio. Como uma bandeira branca. Que nos rende. Aos braços. Aos abraços.
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segunda-feira, 5 de março de 2012
Parada obrigatória
Para o frio, cobertor de orelha.
Para o calor, hálito refrescante.
Para o tédio, risadas.
Para a falta de ar, respiração boca a boca.
Para o mau-humor, silêncio.
Para a fome, jantar.
Para a carência, elogio.
Para a tristeza, abraço.
Para o tesão, sexo.
Para a solidão, companhia.
Para ansiedade, segurança.
E para tudo isso junto (e misturado), amor.
Só ele para sustentar tanta instabilidade.
Crônica dos desejos adormecidos 2
Uma vez, em lugar muito distante, encontrei um espelho sem imagem. Atrás dele havia uma mensagem que dizia para eu esfregar a superfície. A promessa era a possibilidade de me enxergar daqui a dez anos. De pronto, segui as instruções, na expectativa de ver quem eu seria e onde estaria. Que ironia! Na imagem, eu era apenas um cara careca com bolsas debaixo dos olhos. Não vi carro potente, nem família aparente. Vi apenas um homem calvo e com rugas. Foi aí que eu percebi que os planos são apenas projeções. A maioria utópica.
Se eu encontrar este espelho novamente, vou driblar a curiosidade. E matar essa obrigação de ser a pessoa mais feliz do mundo. Porque a felicidade não é uma constante. São apenas pequenos intervalos de euforia.
Na verdade, nós temos menos obrigações do que imaginamos. E as pessoas nem estão tão interessadas nas nossas vidas. Por isso, reduza seus planos de dez anos para dez horas. Porque são elas que vão determinar o futuro, que de certo, só tem uma coisa: você vai envelhecer.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
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