quarta-feira, 7 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
Parada obrigatória
Para o frio, cobertor de orelha.
Para o calor, hálito refrescante.
Para o tédio, risadas.
Para a falta de ar, respiração boca a boca.
Para o mau-humor, silêncio.
Para a fome, jantar.
Para a carência, elogio.
Para a tristeza, abraço.
Para o tesão, sexo.
Para a solidão, companhia.
Para ansiedade, segurança.
E para tudo isso junto (e misturado), amor.
Só ele para sustentar tanta instabilidade.
Crônica dos desejos adormecidos 2
Uma vez, em lugar muito distante, encontrei um espelho sem imagem. Atrás dele havia uma mensagem que dizia para eu esfregar a superfície. A promessa era a possibilidade de me enxergar daqui a dez anos. De pronto, segui as instruções, na expectativa de ver quem eu seria e onde estaria. Que ironia! Na imagem, eu era apenas um cara careca com bolsas debaixo dos olhos. Não vi carro potente, nem família aparente. Vi apenas um homem calvo e com rugas. Foi aí que eu percebi que os planos são apenas projeções. A maioria utópica.
Se eu encontrar este espelho novamente, vou driblar a curiosidade. E matar essa obrigação de ser a pessoa mais feliz do mundo. Porque a felicidade não é uma constante. São apenas pequenos intervalos de euforia.
Na verdade, nós temos menos obrigações do que imaginamos. E as pessoas nem estão tão interessadas nas nossas vidas. Por isso, reduza seus planos de dez anos para dez horas. Porque são elas que vão determinar o futuro, que de certo, só tem uma coisa: você vai envelhecer.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Mais do mesmo
A rotina nos envelhece. O mesmo itinerário, as mesmas pessoas, o mesmo ofício, o mesmo, a mesmice. A rotina engorda, emburrece, conforma e cega. E ainda por cima é traiçoeira e nos faz crer numa segurança falsa. É por isso que muitas pessoas entram em parafuso quando são demitidas ou quando o namoro acaba. Por puro e simples medo de sair da rotina. Mesmo que o trabalho estivesse uma merda e o namoro por um fio. O cotidiano é um saco. Necessário, mas um saco. Por isso, faça planos para fugir do senso comum. Mude o trajeto por um dia, vá num lugar improvável, fale alguma coisa que impressione alguém. Positivamente, de preferência. Não deixe que a correnteza te leve submisso. Trapaceie. Segure-se num galho ou desvie do curso. Você até pode despencar de uma catarata, mas não morre míope. Nem de tédio.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
A crônica dos desejos adormecidos
Um dia eu vou acordar, olhar no espelho e não querer mudar nada em mim. Largar mão da vaidade e esperar das pessoas apenas o que elas podem dar. Entender que a felicidade que eu tanto busco não vai chegar por inteiro, mas sim dividida em pequenas parcelas. Vou me arrepender de guardar elogios, de omitir sentimentos e de dizer o quanto as pessoas são importantes.
Uma hora vou olhar pra trás e ver que eu poderia ter sido menos intransigente e mais prestativo. Que deveria ter mergulhado muito mais nos meus conceitos do que nos preconceitos. Que o futuro é muito mais do presente do que do pretérito.
Em algum momento vou entender que viver de dieta é inútil e que o nosso corpo despenca independente da nossa vontade. Que a calvície é hereditária e irreversível. E que o dinheiro gasto em um implante capilar pode ser investido em uma viagem e muitas histórias.
Hora dessas vou compreender que o tempo não volta. E que a vida poderia me levar para lugares fascinantes se eu simplesmente deixasse a correnteza seguir o seu curso. Um dia eu vou acordar pra tudo isso. Um dia.
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